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Correio de Torroselo

Defensor dos interesses de Torroselo, de Seia e da Região da Beira Serra

Correio de Torroselo

Defensor dos interesses de Torroselo, de Seia e da Região da Beira Serra

Recordando acontecimentos que foram notícia em Torroselo…

“Foi-nos comunicado, a fim de tornarmos público, que a receita apurada nos saraus promovidos em benefício da banda do grupo Estrela de Alva, foi de esc. 409$65, sendo apenas de 164$00, o que foi realizado pró-escola do sexo masculino”.

Esta, e outras notícias da nossa terra, foram publicadas na Gazeta de Coimbra, em 3-11-1928 e, enviadas de Torroselo, pelo correspondente deste jornal.

No mesmo periódico, mas com data de 8-11-1928 noticiava-se, que “ na pretérita semana, foi inaugurada uma nova carreira de camionete entre Ceia e Coimbra, de que são proprietários os nossos amigos Henrique e Francisco Fernandes.

Esta camionete, que se destina ao transporte de carga e passageiros, vem facilitar o acesso com essa cidade, pois que, ocasiões há, que é difícil conseguir-se lugar (…).

São dignos dos nossos melhores elogios, estes dois filhos de esta terra, pelo empreendimento que se propuseram realizar”.


 

Casa Paroquial de Torroselo

"Uma comissão constituída pelos srs. rev. dr. António Alves de Campos, padre Jaime Rodrigues Carvalheira, Luís de Albuquerque Pimentel e professor Luís Gonzaga Alves Martins, fez agora distribuir a seguinte circular”:

Começava assim, a notícia na Comarca de Arganil de 17 de Junho de 1958 da campanha de angariação de fundos com destino à construção da Casa Paroquial.

A comissão informava os torroselenses que, “estamos na iminência de ficarmos sem pároco aqui residente se, quanto antes, como nos é imposto pela competente autoridade eclesiástica, lhe não construirmos e entregarmos uma residência condigna para habitar”.

Foi comprado - ao sr. António Alves Póvoas – por 22.500$00, o prédio onde viria a ser erigida a Casa Paroquial. A comissão alertava que “precisamos à roda de 80.000$00 para ali, naquele local que todos reputam magnífico e a todos os títulos recomendável (…) podemos levantar, uma casa que no único andar sirva de residência paroquial e no rés-do-chão a todo o comprimento, com porta para a Rua de São João e da Farmácia, seja utilizada para salão de catequese” (…).

Foram muitos os cortejos de oferendas transportados em carros de bois que, com outros donativos, tornaram possível esta casa que é de todos os torroselenses.

Anos mais tarde, a obra foi concluída e inaugurada com a presença das autoridades religiosas e concelhias.

A Comarca de Arganil na edição de 3 de Dezembro de 1963 informava que, “ na nova residência paroquial, caiu, pouco depois de nela entrar, pela primeira vez, a senhora D. Ermelinda Dias Ferreira Carvalheira, mãe do nosso estimado pároco, sr. Padre Jaime Rodrigues Carvalheira” (…).

A título de curiosidade recordo quem foram os “inquilinos” da Casa Paroquial: padre Jaime Rodrigues Carvalheira e padre João de Carvalho Nunes. Com a saída do padre João, Torroselo, não voltou a ter padre residente.

Casa Paroquial de Torroselo

Foto da net

Em 1929, a Banda Torroselense inaugurou vários instrumentos musicais

 

Os torroselenses sempre acarinharam a sua filarmónica, mesmo em tempos mais difíceis. Ao longo destes anos de existência, a Banda Estrela de Alva contou com a dedicação do povo da nossa terra. Nesta campanha de angariação de fundos para aquisição dos instrumentos, a colónia torroselense no Brasil foi muito generosa.

Disso nos dá conhecimento o correspondente em Torroselo, em notícia que enviou para a Gazeta de Coimbra, de 25-5-1929, que, gostosamente aqui deixo, para os torroselenses recordarem.

“ Fez há dias a sua apresentação em público com novo instrumental, a Banda do Grupo Estrela de Alva – que percorreu esta povoação, cumprimentando os sócios desta prestimosa Associação patenteando-lhes desta forma o seu reconhecimento, pela forma como se têm esforçado para conseguirem melhorar o instrumental.

A primeira que visitaram foi Gavinhos fazendo o trajeto por Póvoa, Chamusca, S. Paio, Oliveira do Hospital e Gavinhos.

Em todas estas localidades foi a banda recebida entusiasticamente, tendo-a acompanhado a Direcção que também foi alvo de carinhosas manifestações de simpatia.

(…) Temos a registar, o devotado esforço do regente desta briosa corporação, sr. Norberto Pires, bem como dos restantes executantes, os quais com a melhor boa vontade têm ensaiado um escolhido reportório, que tem deixado as melhores impressões em público”.


Foto da net

Famílias ilustres de Torroselo

Casa da Fontinha

Casa da Fontinha, mandada construir pelo Conselheiro José Joaquim Mendes Leal

 

Torroselo, teve, ao longos dos tempos, filhos ilustres que se distinguiram ao serviço do país. Hoje, vou recordar o Conselheiro José Joaquim Mendes Leal. Nasceu em Torroselo em 10 de Janeiro de 1859, e faleceu em Lisboa, em 1 de Maio de 1930. Foi militar de carreira tendo atingido a patente de Coronel. Era formado em Direito e foi Reitor do Liceu da Guarda (1901 - 1902). Foi Governador Civil da Guarda e de Viseu, professor da escola do exército, presidente da Câmara dos deputados e do conselho de estado do Rei D. Carlos I. Os seus restos mortais repousam no cemitério de Torroselo em jazigo da Família. A Casa da Fontinha e a Casa do Miralva continuam na posse da Família Mendes Leal. Na nossa terra existem três ruas com nomes desta família que, muito contribuiu para o progresso e bem-estar da nossa terra: Avenida Dr.. Mendes Leal, (Conselheiro) Rua Dª Joana Mendes Leal, (filha) e Rua Eng.º João Mendes Leal de Abreu

 

Rua Comendador Bento Susano

Rua Comendador Bento Susano

Luís Bento Susano nasceu no vizinho concelho de Tábua. Residiu longos anos em Almada. Foi um benemérito das filarmónicas, ranchos folclóricos e bombeiros. Os concelhos de Tábua, Arganil e Figueiró dos Vinhos, - terra de sua esposa – Dª Josefa Susano, muito devem a este cidadão que, não se cansava de apoiar as colectividades musicais. Em Torroselo, a Banda Torroselense também não foi esquecida com os seus donativos. A Junta de Freguesia de então presidida por Joaquim Pimentel, que igualmente presidia à Banda, atribuiu o seu nome a esta rua que a imagem documenta. Na sala de ensaios da sede da filarmónica encontra-se descerrada a fotografia da esposa – Dª Josefa Susano.

A Lã e a Neve, de Ferreira de Castro

 


Romance de Ferreira de Castro publicado pela primeira vez em 1947. Retrata a dura realidade da vida do povo, através do relato da vida de Horácio. No sonho de construir uma casinha decente, esta personagem abandona a pastorícia da Serra da Estrela, onde lutava contra as tempestades, e vai para a fábrica da Covilhã, onde tem de lutar contra a prepotência dos capitalistas. Horácio, namora Idalina e sonha ser tecelão, ter uma casa confortável e progredir na sua carreira. Ao conseguir emprego na fábrica de tecelagem, casa-se e ascende a "operário", mas vê-se obrigado a viver num casebre. Alguns operários, especialmente Marreta, nutrem esperanças de um mundo melhor para os deserdados da fortuna. Marreta torna-se amigo de Horácio, este, retribui a amizade e, visita-o com assiduidade, no casebre em que vivia em Aldeia do Carvalho. Marreta, - tal como tantos outros operários -, é despedido quando já não produz o que os patrões querem. Sozinho, sem família, e sem meios de subsistência, vai para o Albergue dos Pobres. Horácio continua a visitá-lo. Com o término da guerra, a morte de Marreta, a continuação de tudo e a resignação de Horácio, finda o romance.

Historial - Banda da SFUAP - Cova da Piedade

 

Corria o ano de 1889 quando “ um grupo estóico de rapazes, havidos pelo desenvolvimento associativo “, resolveu fundar a Sociedade Filarmónica União Artística Piedense, constituindo, desde logo uma banda de música. Os primeiros instrumentos e utensílios vieram da Sociedade Musical União Artística do Caramujo, que nesse ano se extinguiu.

Decorridas algumas semanas sobre a data de 23 de Outubro de1889, a SFUAP inaugura a sua primeira sede, na chamada “ casa dos frades “, ao lado da capela existente a sul do jardim Público da Cova da Piedade. Artur António Ferreira de Paiva, o primeiro regente da Banda da SFUAP, pôde iniciar os ensaios. A primeira saída (conhecida) da nossa Banda verificou – se na Quinta dos Frades, onde os novos executantes foram aprender a marchar ao som da música.

Em 1889, no Terreiro do Paço, em Lisboa, celebrou – se o 4º Centenário da Descoberta da Índia. A nossa banda lá esteve e cobriu – se de glória por ter sido a única filarmónica presente que executou os acordes da “ Grande Marcha do Centenário.

Os anos passaram, dezenas de jovens aprenderam música na SFUAP, desfilaram com a sua banda e participaram em manifestações musicais. Em 1934, os registos assinalam a existência de 33 executantes. Em 1932, Fernando Marques Francisco havia sido inspirado autor do primeiro hino da SFUAP conhecido.

Ao longo de um século muitos foram os regentes da Banda da SFUAP, desde Artur António de Paiva, o primeiro, passando por António Taborda (1904), Victor Cândido dos Santos, Augusto M. Cabral (1926-1929), Leonel Duarte Ferreira (1930-1944), José Dias Montezinho, José Fernando Matos e muitos outros até à actualidade, com Carlos Ribeiro.

Longa é também a lista dos músicos que passaram pela Banda da SFUAP, como largo é o rol daqueles que se tornaram músicos profissionais e ingressaram em bandas militares e orquestras.

No decurso de um longo passado de uma centena de anos muitos foram os momentos altos da história da banda da SFUAP, mas também houve períodos baixos e vicissitudes. Nem sempre tudo correu bem. Mas o que é importante é que a Banda sobreviveu a todas as crises e hoje aí está, mantendo viva a chama que se acendeu em 23 de Outubro de1889.

http://www.sfuap.com/banda/

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