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Correio de Torroselo

Blog Regionalista da Beira Serra

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15
Jan18

Entre Serras... Herminismo

Alguns dos nossos leitores, poucos, se lembrarão  do percurso da carreira para Coimbra. 

Ao longo da "velhinha" Estrada da Beira parava em todas as localidades, mas uma, a Ponte de Mucela era especial. Nesta localidade do vizinho concelho de Arganil, todo o pessoal saia da camioneta para estender as pernas e comer qualquer petisco na pensão que por ali existia. A viagem era longa, as curvas e o piso da estrada não permitiam grandes velocidades.

O texto que aqui publico foi retirado do livro de F. Mendes Póvoas, "Entre Serras" e relata uma das várias viagens feitas por este torroselense que, em vida, divulgou e promoveu Torroselo e toda a região herminista.

 

Às dez e meia, os travões fizeram-se ouvir:

- Trerr, trerr,tre, tá, trerra, tá, tá!...

- Almoço! – bradou o guarda-freio do camião – Ponte Morcela!

Efectivamente estava-se na “grande estação” de Seia a Coimbra, mas ainda entre serras… Mitos dos passageiros arregalaram os olhos e todos desceram com a convicção de que a modéstia do edifício que lhes ia servir de hotel, valia bem mais que os radiosos luxos da Pampilhosa e do Entroncamento. Só o vinho, não se sabia porquê, poderia desacreditar a casa, mas nunca o gostoso e sadio pão de trigo lá faltara. Tudo estava caro, mas na Ponte Morcela o preço da comida pouco havia subido e não era preciso recalcitrar contra o fornecimento da mistela…

Os lugares foram totalmente preenchidos. Com efeito! A carrada era tremenda; e quando a vimos encarreirada a saborear o arroz, prato da especialidade da casa, ela denunciou-se de – representação. Advogado dos mais distintos e conhecidos de Oliveira do Hospital, estudante de Direito da Universidade de Coimbra, jornalistas, tipógrafos, funcionários dos Ministérios, comerciantes, empregados judiciais, capitalistas e até um comendador dos tempos da Outra Senhora, tais eram os nossos companheiros de viagem; e cada qual fez a sua obrigação. Nada! Que da Ponte a Coimbra ainda era lonjito e às vezes os maquinismos têem os seus caprichos, como as meninas solteironas.

- De modo que – disse o Rodrigues depois do almoço – tu é que rematas-te o “compadrio” com a publicação da carta entrudesca do “Alma Nova”. O conteúdo devia ter deixado entrever a mão oculta…

- Estou ligando… Estou ligando… E pena foi que então não tivesse saído completa:

Continua….

F.Mendes Póvoas, in “Entre Serras… Herminismo”

Edição do Autor, Julho de 1926

 

 

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